A biossegurança é um tema multidisciplinar, em constante mudança e com um vasto campo de atuação, cuja origem está relacionada às questões da proteção social e ocupacional dos trabalhadores (PEREIRA, 2010). Pode-se encontrar várias definições para a biossegurança, tais como:

A biossegurança pode ser definida como o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando à saúde do homem, dos animais, à preservação do meio ambiente e à qualidade dos resultados (TEIXEIRA; VALLE, 2010).
A condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal, vegetal e o ambiente (BRASIL, 2006, p. 9; BRASIL, 2017).

A educação na área da saúde começou no Brasil a partir da necessidade de controlar as epidemias de doenças infectocontagiosas que ameaçavam a economia agroexportadora do país durante a República Velha, no começo do século XX e inicialmente era chamada de Educação Sanitária. Nesse período, a população brasileira, devido às péssimas condições sanitárias e socioeconômicas, esteve exposta a algumas doenças como a varíola, febre amarela, tuberculose e sífilis. Neste período os problemas de saúde pública eram enfrentados por meio de campanhas sanitárias voltadas para combater as epidemias, ou seja, depois que as doenças já́ haviam tomado grandes proporções (MACIEL, 2009).

É oportuno salientar, que a lei orgânica da saúde brasileira, n.8080 (BRASIL, 1990) prevê ações de saúde do trabalhador e a biossegurança compõe um escopo de normas que tem, entre outras finalidades, a prevenção de riscos ocupacionais. Entende-se por saúde do trabalhador um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho.

As ações de que trata a lei, abrange a assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador, entre outros (BRASIL, 1990).

Embora a exposição aos riscos esteja sendo amplamente discutida e a legislação determine ações a serem desenvolvidas para que haja segurança ao profissional que trabalha exposto a fluidos biológicos, se observa, empiricamente, negligência por parte dos trabalhadores quanto a adesão a precauções universais de biossegurança, entre outros.

Referências:
_______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Biossegurança, 2017. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/conceitos-e-definicoes4>. Acessado em 20 ago. 2017.
BRASIL, Ministério da Saúde. Classificação de Risco dos Agentes Biológicos. Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/classificacaoderiscodosagentesbiologicos.pdf>. Acessado em 20 ago. 2017.
Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília: Ministério da Saúde, 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm>. Acessado em 20 ago. 2017.
MACIEL, M. E. D. Educação em saúde: conceitos e propósitos. Cogitare Enferm 14(4):773-6, 2009. Disponível em: <http://www2.fct.unesp.br/docentes/geo/raul/geografia_da_saude-2014/leitura%202/educa%E7%E3o%20em%20sa%FAde%202.pdf>. Acessado em 20 ago. 2017.
PEREIRA, M.E.C. Um olhar sobre a capacitação profissional em biossegurança no Instituto Oswaldo Cruz: o processo de transformação. Dissertação [Mestrado]. Programa de Pós-Graduação em Ensino em Biociências e Saúde, Instituto Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, RJ, 2010. Disponível em: <https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/3877>. Acessado em 20 ago. 2017.
TEIXEIRA, P.; VALLE, S. Biossegurança: uma abordagem multidisciplinar. 2.ed. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, 2010.