Exames mais comuns na prática clínica

Referência: Exames de sangue mais comuns na prática clínica Dr. Pedro Pinheiro – MD. Saúde – Atualizado em 30/04/2017. Disponível em: <http://www.mdsaude.com/2009/03/check-up-exames-de-sangue.html>. Acessado em: 20 ago. 2017.

Hemograma:O hemograma é o exame para avaliar as três principais linhagens de células do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas).

Hemácias: Serve para o diagnóstico de anemia, que é a redução do número de células vermelhas. São levados em conta principalmente os valores do hematócrito e da hemoglobina. Valores um pouco fora da faixa de referência podem não ter significado clínico. Mulheres podem ter hematócrito/hemoglobina um pouco mais baixo devido a perdas de sangue na menstruação. Fumantes costumam tê-los um pouco elevado devido a pior oxigenação do sangue pelos seus pulmões. Repito: esses valores devem sempre ser interpretados

Leucócitos (glóbulos brancos): São as nossas células de defesa. É o exército ou a polícia do organismo. Chamamos de leucocitose quando estão aumentados. Normalmente indicam uma resposta do organismo a um processo infeccioso em curso. Doentes com pneumonia  ou um abscesso costumam ter seu número de leucócitos aumentados. A ausência de leucocitose de modo algum descarta uma infecção. Mais uma vez, o quadro clínico é sempre soberano. Grandes elevações podem indicar leucemia. Leucopenia é o nome que se dá à baixa contagem dos leucócitos. Significa uma supressão da imunidade e maior susceptibilidade a infecções.

Plaquetas: São as células responsáveis pelo processo de coagulação do sangue. Elevações são chamadas de trombocitose e a diminuição de trombocitopenia. Pacientes com plaquetas muito baixas são mais propensos a sangramentos. Plaquetas muito elevadas podem favorecer a formação de trombos. A dosagem das plaquetas são necessárias antes de cirurgias ou procedimentos susceptíveis a sangramentos. Também são importantes na distinção da forma hemorrágica e clássica da dengue.

Tempo de tromboplastina ativada (PTT ou TTP) e tempo de protrombina (TAP ou TP): Medem o tempo que o sangue demora para coagular. Obviamente, tempos maiores indicam maior propensão a sangramentos. A cascata da coagulação inicia-se com a ativação das plaquetas e é completada pela ação dos fatores da coagulação. O TAP e o PTT medem a funcionamento desses fatores. A avaliação completa do estado da coagulação, feita com o TAP, PTT e plaquetas, é muitas vezes chamado de coagulograma. A dosagem do INR é uma outra maneira de avaliar o TAP. Atualmente é a mais usada por ser mais confiável.

Colesterol: O colesterol total é composto da soma das frações HDL+LDL+VLDL.

HDL – colesterol bom. Protege os vasos da aterosclerose (Placas de gordura). Quanto mais elevado melhor.

LDL e VLDL – Colesterol ruim, formador da aterosclerose que obstrui os vasos sanguíneos e leva a doenças como infarto. Quanto mais baixo melhor.

Triglicerídeos – Estão relacionados ao VLDL. Normalmente equivale a 5x o seu valor. Um paciente com 150 mg/dl de triglicerídeos apresenta 30 mg/dl de VLDL.

Uréia e Creatinina: São as análise que avaliam a função dos rins. Seus valores são usados para cálculos do volume de sangue filtrado pelos rins a cada minuto. Os melhores laboratórios já fazem esse cálculo automaticamente para o médico e normalmente vem com o nome de “clearance de creatinina” ou “taxa de filtração glomerular”. Valores aumentados de ureia e creatinina indicam diminuição da filtração pelo rim. Valores menores que 60 ml/minuto de clearance de creatinina indicam insuficiência renal. Este é um dos exames que mais requerem interpretação do médico, pois o mesmo valor de creatinina pode ser normal para uma pessoa, e significar insuficiência renal para outra.

Glicose: A dosagem de glicose é importante para o diagnóstico ou controle do tratamento do diabetes mellitus. Só tem valor se realizada com um jejum mínimo de 8 horas.

  • Valores menores que 100 mg/dl são normais
  • Valores entre 100 e 125 mg/dl são considerados pré-diabetes.
  • Valores acima de 126 mg/dl são compatíveis com diabetes (deve ser sempre repetido para confirmação do diagnóstico).

TGO (AST) TGP (ALP): São exames para se avaliar o fígado. Valores elevados indicam lesão das células hepáticas. Normalmente traduzem algum tipo de hepatite, seja viral, medicamentosa ou isquêmica.

Sódio (Na+), Potássio (K+), Cálcio (Ca++) e Fósforo(P-): São chamados de eletrólitos. Valores elevados ou diminuídos devem ser tratados e investigados, pois podem trazer risco de morte se estiverem muito alterados.

TSH e T4 livre: São análises para se avaliar a função da tireoide, um pequeno órgão que se encontra na região anterior do nosso pescoço e controla nosso metabolismo. São com eles que diagnosticamos e controlamos o hipertireoidismo e o hipotireoidismo.

Ácido Úrico: O ácido úrico é o metabólito resultante da metabolização de algumas proteínas pelo organismo. Níveis elevados são fatores de risco para gota, cálculo renal e estão associados a hipertensão e doenças cardiovasculares.

PCR: É uma proteína que se eleva em estados inflamatórios. Ela, porém, é inespecífica, ou seja, não nos diz de forma clara o motivo pelo qual está elevada. Uma PCR elevada normalmente indica um processo infeccioso em andamento, mas também pode ocorrer nas neoplasias e nas doenças inflamatórias. Uma PCR elevada associado à leucocitose é um forte indicador de infecção em curso.

PSA: Proteína que se eleva em caso de câncer de próstata ou prostatites (infecção da próstata). Aumentos do tamanho da próstata com a idade, chamada de hiperplasia prostática benigna, também podem levar a elevações, mas não nos níveis da neoplasia. Leia sobre a próstata em:

Albumina: A albumina é a proteína mais abundante no sangue. É uma marcador de nutrição. Como é sintetizada pelo fígado também serve para avaliação da função hepática em doentes cirróticos.

VHS ou VSG: É mais um teste não específico de inflamação. É menos sensível que o PCR. Costuma estar muito elevado nas doenças auto-imunes.

EAS ou Urina Tipo I ou EQU: É o exame básico de urina. Permite a detecção de doenças renais ocultas e pode sugerir a presença de infecções urinarias. Com ele podemos avaliar a presença na urina de pus, sangue, glicose, proteínas etc… substâncias que em geral não deveriam estar presentes.

Urocultura: É o exame de escolha para diagnosticar infecção urinária. Com ele conseguimos identificar a bactéria responsável e ainda testar quais são os antibióticos efetivos e resistentes

Exame Parasitológico de Fezes: É o exame solicitado para investigar a presença de parasitas, conhecido vulgarmente por vermes. Existem inúmeras outras análises que são pedidas no sangue, fezes e urina. Estas são as mais comuns.

Pergunte sempre ao seu médico o porquê de cada exame solicitado. A boa prática médica pede que todo exame solicitado tenha um motivo.

 

EXAMES DE SANGUE MAIS COMUNS – CHECK-UP